Se você acha que o futuro é todo planejado, desenhado em laboratórios de alta tecnologia e aprovado por gênios de jaleco branco, sinto lhe informar que o futuro sempre foi meio improvisado.
A história da inovação cheia de tropeços, egos inflados, apostas malucas e uma dose generosa de “vamos ver no que dá”. Para cada internet que mudou o mundo, teve um monte de inventos que felizmente ficaram no porão.
Houve grandes avanços, mas boa parte deles surgiu meio sem querer, ou porque alguém queria resolver um problema besta. (Pense na invenção do micro-ondas, que começou com um engenheiro notando que a barra de chocolate no bolso dele derreteu perto de um radar.) A inovação é isso: muita tentativa, muito erro, e um ou outro acerto que a gente depois finge que foi genial desde o início.
Não é a tecnologia sozinha que manda no que vem por aí. A tecnologia só entrega o pacote: o que a gente faz com ele é outra história. Podemos usar drones para entregar remédios em comunidades isoladas, ou para entregar hot-dogs em festas de milionário. Podemos usar inteligência artificial para curar doenças, ou para escolher qual série assistir em 12 segundos.
Aliás, a história mostra que toda nova tecnologia é recebida com uma combinação de euforia e pânico. Primeiro: “É o fim do mundo!” Depois: “Não vivo sem isso!”. E seguimos assim, felizes, paranoicos e cada vez mais dependentes das novidades tecnológicas.
O futuro não vem com manual de instruções. Vem na base do improviso, da criatividade e da boa (ou má) vontade das pessoas que têm poder para escolher que tipo de mundo a gente vai construir. Se vamos usar a inovação para melhorar a vida de todos ou só para inventar mais uma rede social para gatos, é uma escolha nossa.
Então, respira fundo. Aperte os cintos e torça para que nos bastidores do futuro tenha mais gente criando soluções do que tretando no WhatsApp. Porque, sinceramente, se depender só do histórico, o futuro vai ser doido, mas pode ser também incrível.
Deixe um comentário